foto tirada ao Pôr do sol – Ilha de Ons – Galícia – Espanha – Agosto 2011

“Meu querido Anjo da Guarda repara nesta data (1-1-11), serão precisos mais dez dias para poder escrever outra data em que os dígitos sejam, como hoje, todos iguais a um, mas, dessa vez, em número de cinco. Já não será nesta vida que poderei escrever outros iguais a estes – quatro dígitos iguais ao um, ou cinco dígitos iguais ao um. Isso só acontecerá daqui a cem anos. Talvez por isto seja tão importante que te diga hoje, o quanto preciso de ti.
Sei que o tempo é relativo nesta dimensão, como o provou Einstein. Onde  estou, o tempo não perdoa e deixa a sua marca absoluta. Estar num beco sem saída não é, de todo, posição confortável, embora já me tenhas dito que é necessário, para promover o crescimento interior. Detesto pensar que a necessidade de sofrer antecede toda e qualquer mudança positiva, sei que não será sempre assim. Mas, a verdade de hoje é que tudo o que busco é acompanhado de sofrimento. A maioria dos seres humanos queixa-se deste mesmo mal, sou, por isso, só mais uma entre tantos, o que não é conforto nenhum, acredita.
Coragem para continuar? Tenho toda.
Este ser cansado, chegou até aqui e descobriu que quer continuar a seguir por muitos anos, mas sem se acomodar. Não encontra as palavras certas porque não sabe, e também desconhece qual a atitude a tomar. Sabe que quer viver de novo. Quer – ponto final – sem dúvidas. Não no conceito de reencarnação, de voltar ao ventre materno para uma nova oportunidade, numa nova vida. Quer uma nova vida e uma nova oportunidade, nesta existência.”
A certa altura, o anjo da guarda sussurrou ao ouvido que tenho de encontrar-me. Sem medo de que me acusem de esquizofrenia, por ouvir e falar com seres de outro mundo.
“Que grande guardião, tu me saíste.”
“Ser teu guardião, não implica ser teu escravo e fazer as coisas por ti.” Continuou:
“Terás tudo aquilo em que acreditares e aquilo por que lutares, mas não estejas à espera que alguém o faça por ti!”
“Não podias ao menos ser um pouco mais específico? É que eu quero e luto por tanta coisa. O tempo foge-me entre os dedos sem que consiga fazer tudo aquilo que realmente penso e que preciso de concretizar.”
“Não tenho pressa, que a pressa que tenho me lembra a pressa que tive de a perder. O tempo não foge. Tu é que não encontraste a forma mais conveniente de tu o usares” –  disse-o com a mesma calma irritante de quem tem a certeza absoluta do que afirma e, pela primeira vez, notei um certo enfado na colocação da sua voz, o que não deve ter passado disso mesmo, uma impressão. Um anjo que se preze não manifesta aborrecimento com o ser que lhe coube como tarefa apoiar, amparar e aconselhar.
Coitado… o que um anjo da guarda passa ao estar sempre ao lado de alguém assim. Aposto como são vários e tiram, à sorte, com pauzinhos, os turnos de serviço. Devem também ter longas férias para aliviar a carga de trabalhos que lhes damos. imagino que serão ossos do ofício de um anjo que se preze. Como sei o quão importante ele é. sussurrei-lhe:
“Preciso de ti mesmo no meio da madrugada, enroscada nos lençóis, sentindo a chuva forte bater na clarabóia de vidro, ao cimo das escadas do meu quarto, tão molhada como a minha cara e almofada;
“Santiago de Compostela ou outro que não tu, por favor guia-me porque eu preciso de dar um sentido à minha vida.
Tenho tantas saudades tuas, anjo da guarda. Tu que fazias parte do meu dia a dia. Tu e a tua alma que conseguia ler nos teus olhos bondosos, sempre que eles se cruzavam com os meus; na energia que à volta do teu corpo se formava, quando partilhávamos o mesmo espaço; no silêncio que se quebrava, quando as nossas duas almas se ligavam e conversávamos.
O mundo está mais pequeno e tudo muito mais perto. Vou mandar-te esta mensagem por e-mail. Recebe também o meu sorriso e reponde a dizer onde te vou encontrar ou quando podes vir ter comigo.
Para ti, um Bom Ano. Não perco tempo a pedir mais desejos. Apenas que quero encontrar-me e fazer explodir tudo o que está comprimido dentro deste peito comprimido. A vida esperneia em silêncio, faz com que a garganta se comprima num esforço e torne difícil o engolir da saliva, mesmo o respirar e provoca este teclar frenético.Anjo amigo manda-me, neste Natal, um pequeno raio de luz. “
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