Não me consigo aproximar de grandes superfícies comerciais. Nunca tive muito jeito, nunca gostei e nunca irei gostar. De fazer compras, muito menos. Muito menos ainda, nesses locais. Perco-me para comprar o que preciso – estão assim estruturados para que vejamos muito mais do que precisamos. Ir, só em última necessidade. É o que faço. Arrependo-me logo de lá ter entrado. É desumanizado. É desconfortável. Muita gente que não se sente. E, apesar de me apetecer sentar naqueles sofás estrategicamente colocados à espera que os meus acompanhantes se despachem, o que quero é desandar a sete pés. Encontro, isso sim, muito mais prazer num chazinho, numa livraria, numa biblioteca, num museu, num espaço mais familiar, num café onde costumo encontrar amigos, conhecidos e caras habituais de há umas boas dezenas de anos. Ainda melhor do que isto é, nestes espaços bem mais pequenos, fazer amigos. Novos. Que com o tempo veremos se amigos são. Mas aqueles que nos acolhem no seu cantinho, e se sentimos também aquele companheirismo especial, então sim enchemos a nossa vida. Fiz grandes amigos neste último ano; revi os que não via há muito tempo; outros estiveram desde sempre e outros virão com certeza. Mas o espaço mais aconchegante de todos é a nossa casa. Aí estamos em nós. Somos os nossos. Amores, desamores. Dias bons, dias maus. Rir e Chorar. E os meios-termos. Mas estamos. Somos. Aprendemos a ser. Somos privilegiados. Há uma humanidade de que não me esqueço e que vive, sobrevive, nas traseiras das grandes e pequenas superfícies, na porta de trás de todos nós, em subterrâneos de uma vida sem dignidade. Disse a uma grande amiga minha que 2013 ia ser um ano especial. E foi. Para mim. Para outros foi o que foi. 2014 será o que a humanidade fizer dele. A contribuição de cada um de nós será, se quisermos, bem melhor. Não sou de falinhas mansas. A humanidade está uma grande merda. A humanidade é uma grande merda. Não deixemos. Esforcemo-nos. Confio aos meus amigos essa tarefa. Nela ponho toda a minha energia. Empenho. Afinal estamos todos a aprender. Todos temos a perder. Há muito que conquistar. Muito para humanizar.
Força para 2014.

CRISTINA BRANDÃO LAVENDER
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