Meu Amor.
Pediram-me que te escrevesse a carta de amor mais ridícula do mundo e é isso que vou fazer. Não deve ser difícil. Ser-se ridículo no amor é mais que comum. Chega a ser caricato o escárnio a que devotamos essa palavra. Amar não é só possuir sexualmente. Amar é estar com alguém, desejá-la, preferi-la mesmo não estando presente. Não. Amar não é apenas isto. Amar é muito mais. Amar é tudo.
Cristo hoje fazes 2013 anos. Sei que pode ser difícil entenderes. O amor é-me dado por estas mãos que são tuas. Pertencem-te. São elas as responsáveis pelo amor ou pela falta dele na minha vida. Com elas me dou a tudo e a todos. Ofereço-tas nesta mensagem:

As mãos que tenho, Senhor,
se dão sentido aos corações amputados
carregam em si doses de amor
às angústias dos silenciados.

Pertencem com certeza a Deus,
num  afago misericordioso de bondade,
enlaça de carinho os filhos seus
tal mãe, em excesso de cuidados.

As mãos que tenho, Senhor,
nas extremidades dos braços colocadas,
quem as ditou? a quem devo tanto amor?

Se presentes no trabalho que faço,
ao serviço da vontade, nos caminhos meus,
não pronunciam queixume, só ternura, no abraço.

Mão activa no trabalho.
Mão macia na carícia.
Mão rugosa na colheita.
Mão decidida na firmeza.
Mão que dá.
Mão que tira.
Mão que reza.
Mão que afaga.

As mãos que assim agem, Senhor,
são o fruto do teu amor.

CRISTINA BRANDÃO LAVENDER
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