Alma tão pobre aquela que apenas sente prazer enquanto come. Referimos aquele ser que prolonga o momento da alimentação para ingerir com tamanha animalesca vontade e que resume todo o existir a esse acto, o de viver para comer, em vez de comer para viver. É vê-lo dando às gananciosas células motivo para se atropelarem ao mesmo tempo que enviam sinais, entre elas, de apetites soberbos estimulados pelos sensores colocados estrategicamente nos terminais das células nervosas do seu mal-aproveitado cérebro. Claro que estas linhas foram escritas num momento de total consolo gastronómico e, por isso, sem a intenção de magoar seja quem for, com a ressalva de que, de todos os animais, só o homem é capaz de tal comportamento.

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