a meu Pai

Quando ela veio e te levou
quando adeus digo e “a Deus” te foste
quando vai quem nos susteve o ar
quando vais, tu, dono do nosso viver
quando nos tiram as mãos rugosas e crestadas pelo tempo

elas que já não mais nos sustentarão
quando fica o vazio a encher o poço da ternura
este sentir que ainda não sabe
este sentir que não acredita
este sentir pasmado
cobre-se das lágrimas que o tempo lava
que o resto das que ainda não verti, Pai
são gritos para que não partas mesmo
fiques em tudo o que tenho em mente,
em tudo presente
embora também:
ausente.

All original content on these pages is fingerprinted and certified by Digiprove