tirania do medo ICP

Foto de Isabel da Costa Pinto

 

a tirania do medo
fura por estradas do caminho,
fecha atalhos, trilhos e sendas
semeia chãos de poeiras e pedras
abre feridas, em corpos de guerra
ata, em discórdia, linhas de bala
encerra, a pregos, janelas da alma
aprisiona ideias, numa cela quadrada
tudo leva, e corpos traga

porque o medo mata
cerrem ouvidos a vozes tiranas
lutem, em afinco, por melodias serenas
para que amanhã as vitórias desfilem
em pó de estrelas, montadas

e pés leves de sorriso rasgado
cerram fileiras, escancaram portas de ferro
varrem nuvens de temor
porque o medo do opressor
aprisiona vontades
mas, nunca, almas.

Cristina Brandão Lavender, A Velha-Ecrita em Dili, 10 de Setembro de 2011
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