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Foto de Isabel Costa Pinto -Bió

Tu, pele de ébano de branco vestida, tu alva noiva, tu bela, tu transparente, tu coroada de folhas de hera no altar; tu que alimentas a sede aos deuses que vieram para te salvar; tu que te entregas ao deus que vem para te amar, para em ti criar outros teus, em ti deixar-se na vida, de ti para um dia partir a outro lugar.
Tu, pele de ébano, coberta de folhos de algodão, quando os cabelos longos se cobrirem de neve; tu pele de ébano, de cintura estreita abraçada por ramos contorcidos; deusa magistral, tu em pé, na margem do rio em queda, te elevas altiva, rainha da magia, rainha da selva.
Tu, pele de ébano, deslizas pelo tapete de verde musgo sobre o granito, de saia rodada, chegas ao altar da natureza, ajoelhas-te e miras-te nas águas, e, teus olhos de carvão, sem queixume, dizem ao mundo num suspiro:
“No negrume de vossos corações nasci e parti. De branco me vesti.
“Deixa de ser piegas, pirosa e romântica. Acorda. Estás a olhar para um rio em queda furiosa.”
“Sim. Também a história do meu povo está repleta de sangue e lágrimas. Essa queda de água sou eu a curar-me em águas d’amor.”

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