Espíritos afins

tu já
tu já existias quando gritei e nasci
pertencias aos dedos da procura nos olhos do amanhã
pelos sulcos da palma que incendeia mãos em mil eras de espera
onde foste tu?
onde foste tu se eu sem ti, tolo, morri?
tu já
eras
a pele de ti
ainda sem mim
à distância  dos anos
em dolo, perdido do espaço e dos lugares
da ânsia do mergulho em gotas de água por oceanos
afogado, em esgares sem consolo, por um toque mais seguro
a sorte
já eras tu
o conforto desejado
porque tu já foras em mim
águas do meu útero, um ser sem fim
em passados inconscientes por um laço forte, amado e puro
tu já
eras tu
já existias quando gritei e nasci
quase me afogaste em sangue morto nesta busca que empreendi
nos olhos da alma cegaste também o desejo de pegar num sorriso perdido
no tempo dos tempos que vêm do meu ensejo de pleno penetrar fundo em ti
e onde foste tu? onde estás uno de mim em ti?
em nenhures daí: algures aqui.
Cristina Brandão Lavender
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