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Anna Mihaiki sentara-se num banco de pedra sombreado por uma árvore de folha com cinco pontas, um plátano japonês, quando ouviu um pássaro a cantar repetidamente o mesmo trecho. Silenciou então todo o corpo e sintonizou a mente para o poder compreender. Respirou calmamente e fez com que o peito se tranquilizasse o suficiente até que conseguisse conectar-se com o mundo em redor. Foi quando percebeu que a ave de penas azuis, vermelhas e amarelas a chamara para lhe deixar a seguinte mensagem: “Mulher de ventre estéril não te entregues dessa maneira à melancolia para que não obrigues a tristeza a instalar-se sem bater. Teu coração é grande e estás preparada para receber o mar que irá aparecer diante de ti. Chamar-lhe-ás de “águas santas” e nele te banharás até ao fim de teus dias. Aí construirás um lar onde darás guarida a todo o ser que ali for bater.”

Mihaiki ficou a pensar naquelas palavras, mas não encontrou sentido para elas. Depois de agradecer ao universo aquela experiência única levantou-se  e deixou-se caminhar pelo jardim durante o resto da manhã, seguindo para casa.

Cristina Brandão Lavender

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