“Ah! se eu pudesse” não se coloca. Se posso, então quero, se quero, então posso. Se não vou, não estou, não sou. Pode dar-se o caso, e aconteceu muitas vezes, de me sair essa interjeição “Ah, se eu pudesse”, mas logo que venho a mim pergunto: o quê ou quem to impede?
É. Pertenço aos humanos mais difíceis de controlar. Pertenço aquela raça de pessoas para quem a palavra “controlo” não existe no dicionário, não pisamos, não passamos por cima de ninguém, mas pensamos, sonhamos e realizamos. Não nos dispomos ao “Ah, se eu pudesse”. Tudo o que achamos minimamente interessante, importante ou fundamental que se faça: faça-se. Mais. Não nos sai da cabeça enquanto não o fizermos. Passa logo a ser o nosso cavalo de batalha. Não das batalhas a cavalo, de baioneta, ou atómicas. Podiam ser, mas não são porque não usamos a força que aniquila os seres. Essa é a bandeira universal da vida. Não descansamos enquanto não formos arranjando soluções aqui e ali mesmo que difíceis. São batalhas em forma de palavras, no papel, nas redes sociais, nas salas de espectáculo, nas escolas, por trás de uma imagem, numa avenida, num aeroporto, em qualquer lugar, pelo exemplo. Chamo-lhe batalhas de comunicação-acção. São as procuras, as pesquisas, as experiências. Quando as vejo, vivo ou sinto, algo me debulha e embrulha as tripas numa real fritura dos neurónios que impele, a toda a força, para a questão de agir. Acontece que ouço uma voz forte, grave e muito serena dentro de mim: podes e deves. Sim, porque só se diz “Ah, se eu pudesse” quando esta antecede o nada fazer. Ah, se eu pudesse, quando se coloca, é já uma falsa questão. Caso não se possa, não existe. Caso exista e não se possa, não se coloca. Para quê dizer então “Ah, se eu pudesse”? Que te impede? Quem te impede? Não estás errado, existe, então força, podes.
O gato mia. Mia muito. Mia muito mesmo. Eu quero ir calá-lo. Mas não posso. Por agora.

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