lençois e amor

– tu não existes, Homem. olhei-te toda a noite por entre vidros. toquei-te toda a noite de olhos fechados. ao de leve tacteei-te em suspiros muito sussurrados e enchi meu peito de ti.
Homem, tu pões-me louca; viras-me do avesso ao mundo; sinto-me húmida. desejo-te. fecho os olhos: beijo-te.
– cá vamos nós outra vez.
que fazemos?
paramos?
– paramos, querida.
– pois. tu mandas, Homem.
– enquanto conseguir mandar, mantenho-te segura. quando não conseguir, tens que ser tu a segurar.
aqui sou livre de te amar. liberdade que vejo muito mais perigosa.
– quando é que isto começou, Homem?
diz-me: quando?
perdi-me nas brumas do tempo. deliciei-me nos segundos salivados, enrosquei-me nos ponteiros do desejo, somos enfim encontrados.
– amo-te, Homem.

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