Braga é outra, e a mesma coisa.
Braga é aquela cidade que me acolheu enquanto a outra, onde nasci, me abandonou, por não conseguir mais dar de comer aos seus filhos, arrancando as grilhetas do sofrimento da humilhação.
Braga é a cidade onde conheci o Inverno e pensei morrer de tanto frio por tão quente ser o dia-a-dia na ilha verde que é também do meu coração.
Braga é a cidade onde as Tílias exalam um perfume tão doce que me faz ir à Avenida Central só para as namorar, mas onde as árvores ainda são decepadas para fazer nascer outras de cimento armado.
Braga é uma velha cidade romana a transformar-se numa cidade da Europa, empurrando, de barriga cheia, para o lixo, a história que a encerra, à espera de abrir o livro onde escreva a sua identidade para a deixar ficar num registo vivo.
Braga é a cidade onde “bou” e “bento” tem este som espectacular e em que os amigos se encontram nos cafés, pelas esquinas da arcada e da brasileira, pelos bancos dos jardins da cidade e da avenida, só porque sim, ou para falar de futebol e de política.
Braga é a cidade que se aninha aos pés do Bom Jesus e da Nossa Senhora do Sameiro em penitência pelos nossos defeitos, que são muitos, enquanto reza o terço pelos pecados ainda a cometer.
Braga é a cidade com mais igrejas do país, e ao olharmos para o horizonte distante vemos todas a cruzes que arranham os céus como agulhas de coser. Braga é assim das poucas cidades que ainda tem as portas dos templos abertas para um momento de solidão.
Braga tem um rio, o nosso rio Este, que não se quer encontrar, enquanto não entrar nele a vida que no passado se ficou e até ao presente se afundou.
Braga é uma cidade onde velhos casarões em ruínas parecem fantasmas que nos visitam sonos de pesadelo, onde tememos que algumas estátuas desçam dos seus pedestais para continuar os feitos dos tempos vivos.
Braga é uma cidade cheia de artistas velhos e novos para resgatar e lançar às arenas do espaço público para um reconhecido abraço.
Braga entra no peito de cada um de nós com a certeza de que seremos gentis com aqueles que vêm por bem, mas que precisa de encontrar o norte e o sul do seu entendimento.
Braga é a cidade que aqui partilho.

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