– Imensa vontade a estalar-me do peito.

– Vontade de quê, Amor?
– De fazer de tudo. De tudo mesmo. De olhar a chuva e decidir que olhar não chega. Vamos molhar-nos até aos ossos. Vamos fazer com que a chuva nos penetre, se dilua no sangue, se escorregue nos abraços, nos sedente nos beijos, se esborrate nas palavras do sempre.
Com a língua lambo as gotas de chuva que te lavam a cara e sussurro-te ao ouvido “amo-te muito.” A tua mão molhada e quente sobe-me o vestido e sente a coxa antes de a espremer levemente como que a relembrar-me: estou aqui. Pego na tua outra mão e levo-ta ao meu peito com os mamilos já duros à espera de teus lábios. A tua mão enlaça-me por trás enquanto o beijo na boca quente se esbarra na minha língua firme como o teu sexo. Amámos-nos sofregamente e a chuva morna permite reconhecer  melhor os teus músculos peitorais. Ainda acaricio o teu cabelo com ambas as mãos enquanto com a língua te toco levemente no ouvido. Arrepiaste.
Corremos para o meio do jardim e, num coreto só nosso, fizemos amor. O som da chuva forte mais um vento ainda mais cálido impunham o ritmo ao nosso amor. Enquanto fosse e durasse, o tudo era um nós: só nosso.
Deixámos estender-nos em lençóis dos sentidos. Esgotámos o dicionário da pele e as palavras gravaram a versão que estes corpos amantes nos gritam, aqui na ilha dos vendavais, sem freios nem tabus impostos pelo pudor e pela educação.

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