Como pudeste deixar-me a falar com os cardos?
Como pudeste mergulhar no silêncio?
Como pudeste vestir-me o cinzento?
Como pudeste esquecer o amar?
Nos versos e linhas que atravesso no texto suplico para que cantes comigo, depois, lavo o chão que pisamos, para unidos louvarmos estes pedaços em que voamos.
Tu, carinho com que sonhei amor; tu cantinho e calor onde sou gente e dor; tu, o conforto em meu dia de chuva; tu, lágrima limpa no pranto do nosso jardim; tu, porque pudeste deixar-me a falar com os cardos, fizeste o sol parecer mais valente e eu, humanidade à procura de rosto, vi no espelho as verdades que não conhecia.

Cristina Brandão Lavender
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