Nas li _____________________nhas com CRISTINA BRANDÃO LAVENDER
in “rotina.”

Saía do metro. Acelerava embrulhada numa multidão impaciente. Não estava atrasada, nem adiantada: um minuto sequer. Conhecia os passageiros que com ela viajavam nos últimos dez anos. Adivinhava o seu humor à passada com que enfrentavam a carruagem. A sua companheira de viagem era, invariavelmente, uma mulher de mini-saia, collants remendados, loiro oxigenado, batom escarlate, pestanas coladas com rímel.
Um encontrão projectou-a para um casal; voou desamparada de costas; longos segundos até cair. Alguém colocou os braços à sua volta. Soltou-se, virou-se para se afastar. Olhos verdes intensos fixaram-se nela. Abraçou-a: – Shuuuu, não te mexas.
– Todos ao chão. Vem comigo: TU AÍ. – apontava a loira.
De olhos fechados, abraçada: gelava. Ninguém se mexia, ninguém ousava. No Marquês as portas abriram-se. Passageiros a magotes entravam e saíam. Levou a loira de rastos. Do nada, polícias apareceram – disparos.
Vi a loira esvair-se em sangue no chão; ele perdeu-se na hora de ponta.

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