Há dias em que a minha unidade interior não existe. Anda em cacos de porcelana de travessa que ia para a mesa e se estatelou em pedaços. Consigo, mesmo assim, aguentar o ritmo acelerado imposto pelas obrigações, anseio pelo chegar do fim do dia e, enquanto a lua já for bem alta, pegar nos pedaços incertos, deitar-me na rede do jardim, colá-los no silêncio, fumar um cigarro, esperar, esperar que chegue a unidade, o todo por ali espalhado.
Dá-me um beijo. Qual parte queres? A boca.
Essa não sei onde pára, mas tenho a alma de fora.

Velha Escrita, 13 de Setembro de 2017

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