Quero a vida de volta, aqui e agora o perjuro,
no olhar o fim do mundo nesta escarpa,
enquanto respiro a espuma deste mar que inunda 
de sal todo o sonho de um planeta desnudo.
E ao tomar conta da essência que queria 
encontro este mesmo dia a surfar na espuma 
das ondas, a pique, no vazio, montado na prancha 
da mentira de uma só palavra: amor.
Acordei e vi o que afinal não eras,
vesti-te de histórias despidas da verdade.
Na memória, essa seda de que te inventei,
desfez-se em pó no colo, desfez-se em nada,
num acordar sonolento de quem ouviu há muito tempo
que amas, que desejas; e sem mentiras: o quero.
CRISTINA BRANDÃO LAVENDER
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