isto é para ti. sim, para ti que entras nos templos p’ra me procurar
que negoceias com o pároco uma absolvição e nem te dás ao trabalho de ouvir a razão
tu, parvo labrego, estupor duma figa
tu que comes a mulher e a vizinha
e logo a seguir te vais confessar ao estupor que violentou o rapazola, a irmã e a galinhola
vê lá se te entendes de uma vez
que não és melhor do que ninguém e que nada vês
nem para te conhecer olhas mais além
finges uma esperteza que não tens
és um nome e pouco mais
vales muito menos do que o pobre a dormir no cais
e tu, supra-sumo da barbatana, sempre com inveja na algibeira
no carro e na sobrancelha
não és mais do que ninguém nem do que Eu.
quem és tu?
quem és tu, para entrares a matar com o machado de culpar?
invejas os outros pelo que são ou deixam de ser
quem és tu afinal, meu anormal?
vives debaixo de esterco, ao montão
palras sem saber, meu papagaio de maldizer
que que tens? que vieste aqui fazer?
tu és deus,  tu e todos os teus
tu pára aí para pensar, algo que nunca te atreveste a criar
todas as cosias que detestas, em ti moram
são aquelas que em ti estão, as que mais são
quem és tu?
se te desses ao trabalho de olhar ao espelho, reparar e pensar
verias que de tudo és capaz, que és deus como Eu
agora, dá-te um abraço, faz um imenso silêncio
acorda-te desse embaraço.
Cristina Brandão Lavender
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