Do que gosto mais no mundo do disfarce é, sem dúvida, do “cair da máscara”. Aquele fim do engodo, do engano, do fim da personalidade fictícia que tanto tinha a esconder, do que ficou só, com o rabo de fora, e também todo estatelado no chão da praça mais pública da capital do país. Sim. O cair da máscara é muito melhor que o fechar do pano no teatro. É o chegar ao fim do artefacto, do adereço, do fictício. É acabar com o que não queríamos mais. Nunca mais. É o baixar do pano mais esperado. Mesmo que o cair da máscara seja um esperar paciente, não interventivo, por parte do público que o cerca, é sempre mais doloroso para o que esconde em si, a sete chaves, a sua identidade. Não nos cabe dizer quando cai. Cai quando menos espera aquele que a colocou, moldou e escolheu. Não pode mais com o peso. Máscara sobre máscara, sobre máscara, sobre máscara. O chumbo venceu a gravidade e zás. Abriu a cratera no chão da sala de estar, na esplanada do café, no acto sexual, no comer da sopa, no programa de televisão, no contrato celebrado, em qualquer lugar-comum. Não vai estar sozinho para a apanhar. Fica nu. Completamente nu. Desfolhado. Sem imunidade. Entregue a si. Sem as defesas que criou para se proteger de si mesmo. Sim porque a anteface era mais para ele do que para qualquer outro. No esperadoiro, à sua volta, todos sabiam. Menos ele.
Caiu-lhe a máscara.

A Velha-Escrita, 4 de Setembro de 2013

CRISTINA BRANDÃO LAVENDER
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