Ausência de ti lê-se.

Não sente igual, não é
nem mal nem bem,
é desgraça ou graça
de renascer, enquanto durar ou por
cicatrizar, enquanto não for ou deixar
o ser, o pensar em ti é mesmo
todo: artificial.

Passa a riso forçado,
sorriso de olhos molhados,
passo de pés pesados,
voz e pensamento irritado.

Verdade ausente encandeada
da luz, a verdade escondida nas linhas
de cruz, verdades a perderem-se no chão
do quarto, verdades do outro lado
do abraço, verdades no existir na prisão
do cimento, verdades mortas por não sermos
nós, uma mentira na escuridão
das mãos, no jogo da cabra-cega, do tempo.
Acordo, suspiro e fujo com as pernas que tenho,
para um respiro livre, enfim
no despenho da ausência de ti.
CRISTINA BRANDÃO LAVENDER
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