e cheguei.
cheguei com os olhos a rirem escancaradamente para o verde, os verdes, milhares de verdes que me abraçavam. cheguei. cheguei abraçada ternamente pelas montanhas, com veludo nos dedos, a acariciarem os cabelos pintados da mesma cor de quando criança.
cheguei e não disse nada. cheguei e senti que sorria e espiava, num olhar encravado no útero da mãe amada, atenta aos gestos de  criança alegre, e cuidava do rolar do arco de ferro na vareta de ponta recurva a testar o engenho da manobra, rua abaixo, seguida por uma matilha de cães escanzelados em procura da caricia da mão suave e pequena e de um naco de pão esquecido pelo caminho.
cheguei. cheguei e sorri sem saber que sorria. cheguei e sorri com os lábios, com os olhos, com o corpo, deitada no colo da mãe querida, enlaçada de verde, protegida de ternura.
cheguei e senti.
e cheguei.

Cristina Brandão Lavender
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