Não sei se tristeza, se isso misturado com indignação, mas há algo de muito perverso quando se designam, todos os que são diferentes, por “esses”, ou “eles”. Acreditamos, mas também fazemos disso a nossa vida no quotidiano, numa igualdade total no ser humano, de género, raça ou credo. Acreditamos que só assim os conseguimos realmente conhecer e portanto, também, compreender. Não precisamos de comungar as mesmas crenças, nem os mesmos hábitos, nem dar as mesmas passadas, mas há respeito, há diálogo, tudo isto misturado, com alguma ternura. E como é bom. Com “esses” tais, ou com todos os “eles” diferentes, bem presentes em nossas vidas, temos ficado mais ricos com as suas diferentes abordagens. Gostamos quando vemos homens e mulheres, apenas como homens e mulheres. Passamos a ser com eles, a pertencer, a incluir, fazendo “amigos” de ocasião ou para toda a vida. São laços que nunca se perdem. No entanto, aqueles que os vêem como esses ou eles, são sempre os outros, mantêm uma distância que passa a ser tão grande como real, e cuja proximidade assusta, ameaça e incomoda. E quem trata o outro como inimigo passa a ter ali um inimigo. E “esses” ou “eles” não têm problema nenhum em os matar, em se matarem, porque não são da mesma espécie, passam, simplesmente, a inimigos para eliminar.

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