Muito chorou a humanidade para formar este oceano. Lágrimas, umas vindas da tristeza e da raiva, outras nascidas do medo, contudo todas elas nascidas da ignorância, essa incapacidade de olhar, de encontrar e reconhecer a intensidade de ódio que o homem acolhe em si. Essas lágrimas, hoje, a mostrarem-se furiosas, embatem contra as arribas rugosas, engolindo as mágoas feitas destas emoções desencontradas;
em lágrimas, vista turva, olhei o horizonte, enquanto a neblina avançava rente ao mar, engolindo-o à medida que se dirigia ao monte da praia Vitória, onde os portugueses chegaram no séc.xv, a ameaçar esconder, também hoje, ainda mais profundamente, as emoções gravadas a ferro e fogo num coração de mulher guerreira, nunca domada, enquanto outras, por gerações e gerações foram espezinhadas, sua lealdade comprada, sem voto na matéria em tudo o que diz respeito ao seu corpo, dominada do umbigo para baixo, vazia do umbigo para cima. São mais das mulheres, estas águas oceânicas, tenho disso, a certeza absoluta.

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