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sou pele

revestimento externo do corpo humano, constituído por derme mais epiderme, unido ao tecido celular subcutâneo; despida, a tua; a minha: nua. Mas morto de medo, surdo à razão, com noites a fio sem dormir, horas e dias me revi em traição. debaixo do candeeiro ao longo do tejo vi danos tamanhos pelo caminho. despedi-me de fantasmas, fantasias, beijos somados aos anos vividos, cansado das mentiras embaladas pelo mundo, ao som do segundo: não eras mais minha.

sou o abraço

pressinto um arrepio, no teu corpo (gelado), extinto, apagado, por velas velado, no teu sepulcro morto, enterrado. combinámos um sempre, sem mais fingimento; soltar livre o sangue, as peles, os lábios, a qualquer hora, a qualquer momento, por este amor sábio, eterno e obsceno.

sou, então, a cama para acordar de olhos fechados, pôr-te a mão onde quero beijar. Sentir-me despido na tua; a minha nua,

somos pele: colados.

Cristina Brandão Lavender

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