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Quando a escuridão tomou o lugar do corpo, Carolina sentiu um frio estranho, diferente, pesado, que a fez tremer enrolada nos cobertores da cama. Abraçou os joelhos e puxando-os para cima, até junto ao peito, ficou na posição fetal do costume. Queria fazer-se parar, mas toda a cama tremia. Pediu protecção Divina. De olhos fechados implorava que passasse, que sossegasse, que descansasse. O rezar por amparo era o que fazia sempre que aquilo acontecia. Quando a tremura aumentassem para um ritmo alucinante sabia que iria sair do seu quarto para se ver, logo a seguir,  num outro espaço, num outro tempo.

Cerrou com toda a força os olhos e viu-se deitada na relva fresca. Estava num pasto na ladeira da montanha coberto de erva fresca e de pequenas flores silvestres. Por todo aquele lugar predominava o verde salpicado de tons do branco e amarelo. Respirava profundamente e expirava lentamente até que todo o ar saísse dos pulmões. Quando deu por si era outra vez uma criança de cinco anos de idade. Estava agora sentada em cima da vedação de madeira com o mesmo vestido rosa forte que tinha no dia do seu aniversário. Um melro aproximou-se e pousou em cima do poste da vedação, olhando-a bem de frente. Carolina equilibrava o corpo sentado na cerca segurando-se firmemente com as duas mãos.
– Sim. Consegues. A vida espera por ti. Muitas pessoas precisam ti. Dá-te a esse amor que tens aí dentro. Milhares querem amar-te e só tens de deixar que aconteça. Não, não precisas de fazer nada de especial. Só precisas mesmo de vencer o medo, amar-te, dar-te e deixar que te amem.
– Não te vás, por favor.
– Voltarei. Por hoje é esta a mensagem que te deixo.

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