Gosto de dias de cão.
Imaginemos uma linha do tempo e coloquemos nela o cão que além de ser considerado o fiel e amigo companheiro do homem está presente na simbologia e mitologia das culturas antigas, muitas vezes acompanhando ou simbolizando deusas. São guias dos humanos até aos portais do paraíso ou guardiões das portas do inferno. Por este motivo sei que tu e eu estamos agora muito mais felizes e sossegados. Não gostaria de deixar tão importante facto nas mãos dos homens que não sabem o que fazer com a vida e muito menos com a morte. O cão é também símbolo da arte adivinhatória e com o seu faro apurado conseguem determinar a pureza e impureza das almas e assim fornecerem pistas infalíveis sobre a índole dos humanos. É assim que este belo animal chega aos dias de hoje na companhia de alguns espécimes de jeito.
Esta pequena introdução serviu para vos convencer que “ter um dia de cão” é algo de simplesmente excepcional. Têm ali um amigo que não vos decepcionará em circunstância nenhuma.
Dado o poder que o cão tem de detectar o mau carácter, o mentiroso, o ladrão, enfim o mau cidadão acabo este dia de cão com uma sugestão. Nas próximas eleições, em vez de deixarem o povo ir sozinho à urna marcar a cruz, façam uma lei de jeito que o permita levar o seu fiel amigo para que seja ele a votar. A probabilidade de errar na escolha será menor da que se tem verificado e a abstenção descerá para níveis decentes e aceitáveis já que o cão quer ir à rua fazer as suas necessidades e assim o dono mata dois coelhos com uma cajadada só.
Posso emprestar dois cães a quem precisar. Deixam sempre entrar toda a gente em nossa casa mas os ladrões não conseguem sair. Assim acho que têm boas hipóteses de acertar no partido que escolherem para governar.
Não há nada como chegar ao fim do dia e concluir que ter um dia de cão pode ser a solução para o estado do país.
CRISTINA BRANDÃO LAVENDER
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