As guerras que se travam na alma, ninguém as consegue vencer, ninguém nos cerra essa janela, porque as janelas da alma desenham-se por todo o lado, desenham-se em paredes de granito, desenham-se em grilhetas de ferro, desenham-se em escuros porões, desenham-se na clausura da cela, e desenhar janelas em paredes cerradas é viver sem cerros nem ameias, é mergulhar num mar e desafiar quem vem. Ser livre é assim e nunca, nem que me mates, me irás prender. Se quero dançar, não calas os passos que desejo em qualquer espaço, se quero escrever, não calas as palavras que me saem dos olhos e dos dedos, se quero pintar, não apagas os traços que se desenham por todo o espaço que vejo, se quero amar não apanhas o sentir que se esvai pelos poros da derme. As guerras que se travam na alma, ninguém as consegue vencer.

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