Alma tão pobre aquela que apenas sente prazer enquanto come, dizemos daquele ser que prolonga ao ínfimo minuto o momento da refeição, para a ingerir com “animalesca” vontade, e que resume todo o seu existir a esses sagrados momentos do dia, gravando na sua pobreta existência a lei do viver para comer, em vez do comer para viver. É vê-lo, dando às gananciosas células motivo para se atropelarem umas às outras, ao mesmo tempo que enviam sinais, entre elas, de apetites soberbos, estimulados pelos sensores colocados estrategicamente nos terminais das células nervosas do seu mal-aproveitado cérebro, transformando, em células adiposas, mais de noventa por cento do corpo. Claro é que estas linhas foram escritas após um desses momentos de saciável desvario no prazer gastronómico, e por isso, sem a intenção de magoar seja quem for, ficando a ressalva de que, de todos os animais, só temos visto o homem como sendo capaz de tal comportamento. Mea culpa, Mea culpa.

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