passeando na passerela

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A noite disse-me adeus. Eu, a Deus, me entrego. Quando acordo, vês-me, amor, a caminhar sobre rosas e hibiscos. Vestida de seda que me beija a pele, hoje mais sensual do que ontem, leio nos teus olhos o quanto me desejas sobre rosas e hibiscos a caminhar. Finjo ignorar-te. Este é o código do desejo do sexo cobiçado. Sinto-me já molhada. Imploro-te, em segredo, que me possuas, naquele chão espelhado coberto de odores floridos, matinais. Levo os olhos baixos para que não denunciem o pensamento sempre em ti, muito de ti: tua.

vapor quente irradiando-te o ninho
este astro que te visita
respira-te, expira-te e vive-te.
lembra-se: afinal existira,

nunca deixara caminho.
onde estavas?
em ti, lá fora, ali:
e aqui.

No confessionário troquei-te a alma pelo hábito que trajavas. Durante a missa pedia perdão a Deus por te querer mais que a ele.

“Ouvi-nos Senhor” dizias.

Matai-me, Senhor – repetia a culpa no peito.

À noite disse-te adeus. Agora, eu, a Deus, me entrego.

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