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“Abri a porta de trás e dei um passo. Segurei-me a tempo. Estava no ar. A casa estava no ar. A gravidade descera a zero. Tudo flutuava em torno de um eixo invisível, a estátua do cónego Melo. Acontecera imediatamente a seguir à Inauguração. Fizéramos uma conferência de imprensa, um apelo à sociedade civil Bracarense para evitar que aquele assassino vestido de padre cruzasse connosco todos os dias. Mas nada. A estátua ficara, uns dias borrada de tinta, noutros cagada pelas pombas e pardais. Hoje, tudo girava à sua volta. Ela era o eixo da cidade de Braga. Gravidade: zero.”

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