tão útil que fui hoje, a sentir-me irónica, e não há um “smile” para isto.

Acordei à mesma hora, ainda pouco desperta, apressei-me a abrir a caixa de comprimidos e a emborcar o comprimido da tiróide, o que me dá vinte minutos até ao mata-bicho e é o primeiro de mais quatro que terei de tomar. Não sorri para o espelho não fosse ele perguntar por que estava tão alegre, ajeitei-me, alindei-me dentro do que é possível e pus uns brincos, mais uns berliques e berloques. Não consegui disfarçar as rugas que no espelho parecem caminhos de cabras de lá pr’ós lados de Trás-os-Montes, talvez de Cetos, a aldeia mais bonita das nossas Beiras e vi que as banhas saíam pelo cinto fora como tudo o mais que sobra de carne e banha e que cai com a idade, o excesso de peso, e mais a força da gravidade que envolve o nosso planeta. Desci para o tão desejado pequeno-almoço com ideias de contenção que duraram pouco tempo. Como está um dia tão lindo, dei por mim a sorrir sem motivo especial, corri ao quarto, tirei os brincos, os berliques e o berloques, calcei umas botas confortáveis da Decatlon e amei-me com​ a Canon 60 D. Fomos para a beira do rio Tejo e juntamo-nos aos milhares e milhares de turistas que por ali estavam também armados de sorriso escancarado e máquina fotográfica. Cliquei, cliquei cliquei e, de repente, fiquei sombria. Sabem o que fiz, procurei um lugar mais isolado que encontrei, sentei na relva calada e dei milho aos muitos pombos que se aproximaram Será que o melhor de mim ainda está para chegar?

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