Uma irritação sem ser disfarçada segue-me e alcança-me por estas ruas de Braga, na fraude que se vive nesta época.
O homem foi transformando, ano após ano, o sentimento mais lindo do mundo numa embalagem brilhante de laço bem atado com beleza, perfeição e intrujice.
Aqui e ali sinto-o presente, quase asfixiado, mas trocando as voltas a tudo o resto.
Aquele a quem devemos esta época tão fascinante, mágica, milagrosa; aquele que trouxe uma disposição natural para o bem, fica esquecido, ensombrado por luzes, fitas, caixas e sacos do consumo desmesurado. Às vezes sou atingida por grande melancolia e tristeza que se desata num choro compulsivo e intenso a deixar-me sem ar. Eu acredito na magia do Natal. Hei-de sempre prostrar-me a seus pés, se necessário for. O festejar o Nascimento de Jesus, para mim, é o mais importante dia do ano.
Sou cristã. É sem dúvida um milagre para mim. Acontecem sempre factos inexplicáveis pela lei da natureza neste período do ano.
O resto só me faz abanar a cabeça: por favor, mais não.

CRISTINA BRANDÃO LAVENDER
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