mao na mao

Sahira subiu as escadas de madeira e entrou na cubata, lá ao fundo do agrupamento da aldeia. Curvou-se ao entrar, mas não conseguia ver. Tabi não estava na aula. Teria que estar ali. Não o vira em mais lado nenhum. Esperou que os olhos se habituassem à escuridão, enquanto tacteava o lugar.

As esteiras estavam alinhadas e limpas. Nada de objectos supérfluos a que estava habituada. Só a esteira, banquinhos com 20 cm de altura aos pés de cada uma delas e uma bacia de alumínio com água fresca tapada com um pano de linho grosso.

Tabi era um dos seus melhores alunos. Estava a pensar levá-lo para estudar na europa. Era um rapaz genial. E como escrevia !Contava tão bem a vida. Via muito mais que eu. Via e escrevia.

Os olhos habituaram-se. Perscrutou ao fundo. Sim era ele. Ajoelhou-se a medo. O corpo estava imóvel.  Pôs a mão na sua mão. Gelada. Não podia ser. Mais vale matá-lo já. Esta história não vai mesmo a lado nenhum.

Sahira voltou para a aula ao ar livre, escrevia com giz feito de patela de barro, numa tábua grande, posta na vertical com as medidas aproximadas de um quadro Interactivo. Ali passava os dias. Lá para os lados do Santa Catarina  Ali era feliz. Ao ar livre. Ensinando as letras a uma duas dezenas de miúdos com fome de saber.

Escrever é o meu respirar, acto de vida, acto de luz e de sombra, do ser ou não ser, de nascer e de morrer. Rodeados de anjos na terra só me finarei feliz quando não houver um único ser humano que não saiba ler e escrever

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