Será que é no dia em que nascemos que a poesia nasce, ou será que ela já vivia dentro de nós. Será que ao soltar-se a língua do peito não se largam as palavras da alma. Será. Se é verdade que no dia em que nasceu se abrira nela o livro das palavras, uma colecção de vocábulos de uma linguagem universal onde escondera a força e o rumo do ser, é também verdade muitos acreditarem que só muito depois do nascer se define o que queremos. Não é assim para alguns. A todos os que nascem é dado o fado, nunca leve, e cada um ou o vende ou o segue. E é aí que se esconde a diferença. É muito difícil definir melhor esse conceito. Quem carrega, dentro de si, essa janela, aberta ao mundo, carrega talvez uma ode, uma alegoria do espírito sobre a matéria, uma frenética vontade de viver a humanidade, elegê-la por princípio, de princípio e até ao fim, até ao último suspiro, num elogio permanente ao belo e à loucura, a par e passo com a ética e a estética. E viver assim é perseguir uma consciência individual e social para a pôr sempre acima daquilo que move e remove outras montanhas, a do capital, a do dinheiro.

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