“Não há médico para o medo.” provérbio escocês


No que diz respeito a ser uma pessoa  não tenho receio, nem medo, nem miúfa, nem pavor, nem nada. Embora seja o que pretendem: meter medo às pessoas. Comigo não funciona. Já não funcionava antes do 25 de Abril, não é agora que o vão fazer. Nem ontem. Mas tentam, ai isso tentam. E como tentam. Domínio pelo medo. Pelo caciquismo dos partidos, dos directores de escolas, das administrações privadas em escolas, hospitais, empresas de águas e electricidade, nos caminhos-de-ferro, nos correios, nas estradas e nos passeios; de gentes transformadas em números, em produtos, em massas, nova caça às bruxas, troca de influências e favores, e o prémio da incompetência. 

Agora, a educação em portugal, transformou os nossos  filhos em produtos, força bruta, gráficos de sucesso, de insucesso e outros “qualificativos” absolutamente inumanos. Isso sim, preocupa-nos. 

O que nos preocupa, realmente acredito, à maioria do povo Português, é a impunidade, a corrupção, a desvalorização de conceitos como o do exercício da cidadania livre e responsável. 
Colocar aqui os nomes de alguns corruptos não interessa. Uma auditoria independente, externa, rigorosa poderá resolver e fazer isso por nós.  O que é irritante – e eu já tenho idade para me irritar com um determinado número de situações – é o estrabismo do olhar. Ao fim e ao cabo o estrábico vê a dobrar. Eu não. Eu quero ter o discernimento de olhar com olhos de ver, de pensar com modos de pensar, julgar as pessoas pelas suas acções, pelas suas capacidades e incapacidades, pela sua humanidade, pelo seu saber ser gente, pela sua generosidade.

E eu confio. Não perdi a esperança, por uma razão tão simples: não tenho medo de ser gente. 


Cristina Brandão Lavender

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