bamboleando ICP

Foto de Isabel Costa Pinto

Escrevo-te estas palavras cheia de saudades. Muitas saudades tuas. Volta. Volta depressa e não vás nunca mais. Tenho saudades de quando adormecia enlaçada por ramos fortes com o teu perfume nas folhas, do murmúrio do vento que me sussurravas e da segurança de estar em ti. Trémula e ardente a tua doce fragrância misturava-se num odor só nosso. Não hesito por tanto te querer e, nesta força ciclónica do espírito de amor em comunhão com o sentir de peles, estou em união orbital levada em ondas universais. Contigo vivo e não sobrevivo mais. À vida me devolveste sem violência, sem a fixação do medo, só com o propósito de aqui estarmos. Contigo perdi os ataques de pânico, aquele pavor de que um turbilhão me invadisse o cérebro numa tempestade eléctrica e me matasse: fulminante, que me castigasse, que trocasse a vida aqui contigo por uma eternidade nas trevas. Lembras-te daquele medo horrível de que poderia morrer a qualquer momento, daquele poder do sentir sobre o corpo físico, das constantes enxaquecas do trabalho e da pressão que o passado tinha sobre mim? Pois perdi isso tudo. Estou a viver aquilo a que chamam de paixão. Respiro-te. Anseio aquele “tlin”, aquele sinal vermelho, aquele “recebeu uma mensagem”. Estou constantemente na corda das tuas palavras. Bebo-as com sofreguidão. Lembras-te das nossas conversas? Lembras-te de quando estavas a trabalhar e desabafaste comigo? Fiquei logo atraída por ti, pela tua ternura e sexualidade. Contigo vivo bamboleando na corda das tuas palavras. Mas chega de estar longe de ti. Volta para nós. Sem ti não vivo mais, sobrevivo.

Sempre tua.
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