não somos nós numa sala vazia,

não morremos de esperança e alegria.
não vemos nada nesta neblina cerrada,
não abrimos os olhos se não nos dizes nada.

não é ilusão a imperfeição malfadada deste mundo,
não são enganos dos sentidos duma alma sem fundo.
não são anos contados em décadas ou séculos,
não são perdidos nem achados estes pensamentos belos.

não abrimos mão do sonho da ilusão, do amor, do olhar, do sentir e do pensar.

não sei se sei, se existo, ou se é ilusão.
não sou eu, ou tu, ou ele, sem o sentimento.
não acredito em nada sem a gratidão e o momento.
não somos números, nem gráficos, nem estatísticas do conhecimento.

não somos gente de uma só geração.
não vemos, nem recordamos,
não sonhamos, nem quantificamos a reacção,
não fazemos a mínima ideia como sentir o coração.

não sabemos o que vemos no espelho.
não nos dás o choro, o riso e o desejo.
não julgamos nada sem essa tua figura,
não aceitamos nadar nessa mesma amargura.

não abraçamos a ignorância,
não somos mentes sem teus projectos.
não desejamos mortos vivos, nem objectos de dor,
não morremos de esperança e alegria:
não somos só nós numa aula vazia.

não somos sem ti, professor.

Cristina Brandão Lavender
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