Ontem saíram assim as palavras, na tertúlia de Janeiro da Velha Escrita, sobre o tema “Nunca te vi, sempre te amei”
 
Ah! se não fossem as palavras que ditam a sorte de um tema e que escorregam, se escrevinham, lentamente ou decididas, pelo vidro do telemóvel, caprichosas, mas dominadas, que saem pela vontade de te dizer que, na realidade, nunca antes te vira, mas que sempre te amara.
Ah! se não fossem as palavras como te diria que, ao entrares naquela sala, me deixaste com os olhos preenchidos de uma noite calma, tal negritude azul escura, o tom a combinar com o vestido que trazias, a favorecer a pele branca, a realçar as formas em que tão bem se assentava.
Ah! se não fossem as palavras como poderia explicar que nunca te vira, mas que sempre te amara, e que não são os acasos que te trazem ao balcão deste bar, te levam a escolher o assento de couro velho de castanho desgastado por centenas de encontros e desencontros deste mesmo lugar, mesmo aqui ao lado do meu?
Ah! se não fossem as palavras que rompem silêncios que nos embaraçam, não teria a certeza das quais escolheria, enquanto dançam em remoinhos e bailados dentro do peito e do cérebro, ao som do Opus n. 49 de Chopin.
Ah! Se não fossem as palavras e a força de que se vestem, nunca teria a coragem de te olhar fixamente e sussurrar: “Nunca te vi, sempre te amei.”
All original content on these pages is fingerprinted and certified by Digiprove