Isabel costa pinto criança com cao

Foto de Isabel Costa Pinto (Bió)

Gostaria muito de tocar-te o olhar. Estávamos num trabalho de grupo. Trabalhávamos, mas tu, nesse teu olhar fugido, teimosamente fugitivo, balançavas a cadeira, balançavas as pernas, balançavas os braços revirando as mãos que (de lápis em punho) recusavam escrever o que te era proposto.

– queres a vida? queres-te aqui?

Sorriste e mentiste, num silêncio, num sim que era um não.

Sentei-me perto de ti.

– queres-te aqui? por quê?

Tornaste a sorrir, mas desta vez não mentias nem com o sorriso, nem com o olhar, nem com o oscilar teimoso do teu não. Paravas, sossegavas e isolavas-te. Um sim esganado, enganado, a transformar-se num talvez. Finalmente roçava-te o íntimo. As palavras despiram-se de importância. Eram tuas as que nasciam:

– A criança, toda a criança, quer estudar para aprender, mas sabe, e sabe-o bem, que esse saber só nasce se lhe apalparem a sede de conhecer. E o adulto livre que irei ser terá sempre uma enorme sede de saber.

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