O mundo ausente… presente!
Doença de Alzheimer
Três beijos deste depois de há tanto tempo tos pedirem…
O teu silêncio, que muitas vezes não sabemos se significa recusa ou alheamento, sufoca silenciosamente o peito dos que te amam.
Esse teu silêncio! Mãos encrespadas a fecharem em concha todo o teu mundo, onde ninguém pode entrar, por ser só teu.
Decidir. Ingressar ou, por outro lado, fechar os olhos, ao teu lado, comungando do teu silêncio. Adivinhar o caminho que tomaste.
Conversar? Um monólogo a contar as novidades que outrora te enchiam o peito. Incluir belas mensagens de amor, daqueles que muito te querem e não sabem onde te procurar, mas não desistem. Histórias, mais histórias e o entoar de canções que embalam esse universo onde te refugiaste.
Esperar! Esperar que uma nave te traga de volta. À velocidade da luz chegou ela contigo, um passageiro… e três beijos deste. Voltaste por tanto teimar? Voltaste por tanto pedir?
Três mensagens trouxeste nos três beijos que deste: carinho, amor e uma última atenção. Um último abraço. Depois, de novo, voltar, na nave, à velocidade da luz. Partir.
Esta é a realidade dos que sofrem de Doença de Alzheimer.
Esta é uma realidade que o País deverá saber agarrar, proteger e mais uma vez, com coragem, apoiar na dignidade dos que se refugiam na mente. Eles e tantos outros que sozinhos já não podem caminhar.
Às instituições com profissionais carinhosos, com competência em cuidados geriátricos que a estes se dedicam; a todos os que em trabalho voluntário os procuram e aos familiares que com eles caminham fica o reconhecimento de um caminho honrado. Cidadãos comuns. Cidadãos do universo que só existem porque eles, que agora vivem no silêncio presente, aqui os trouxeram.
Queremos, com toda a certeza, uma sociedade que assim possa agir.
cristina brandão lavender
nicha
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