Gosto de ver as pessoas a trazer a si o tempo mais quente, procurarem o branco para se vestir e calçar, combinando com outras cores claras ou com o clássico azul marinho. Gosto. Para o meu corpo continuo com os pretos e algumas vezes, os cinzentos, não só por viver este tempo pascal de reflexão, mas porque é ele que combina com o ser que tenho, alimentando-o, aqui e ali, com esperanças de um colorido natural. Gosto. Gosto de silêncios prolongados acompanhados por brisas frescas que trazem o aroma do jasmim e da flor de laranjeira do nosso quintal. Gosto de ouvir Schubert, por vezes de olhos fechados, outras enquanto converso com os olhos dos gatos e dos cães que se estendem indolentes, à volta do meu preguiçar. Gosto.Gosto do que perguntam e, de dedo em punho a deslize pelo vidro, escrevo sem muito pensar. Gosto.

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