Peço desculpa, mas a culpa é toda dos professores. Ainda hoje se viu isso. Sujeitaram-se, anularam-se e fizeram um exame para mentecaptos. Isto depois de terem sido avaliados nos seus cursos, nos seus recursos, nas suas universidades. Os professores, neste momento, até se desunham e “matam” uns aos outros para conseguir o melhor prestígio dentro das escolas; terem os melhores portefólios, as melhores ideias, as melhores notas. São uns lambe-botas sem vergonha, sem carácter, sem o mínimo de noção de ética profissional. Se eles ao menos tentassem ser melhores pessoas não se perderia tudo. Neste momento ser professor – que Deus me livre de me ver entre mais essa escumalha – é o mesmo que ser atirado aos leões no Coliseu de Roma. Juntam-se a si e ao resto. Bestas. Às feras presidentes, ministros, cobradores de impostos, administradores, gerentes, exportadores, importadores, chefes de secção, todos os que já estão acima ou em cima de alguém ou que ainda querem estar. Àqueles que nos roubam sem escrúpulos, sem um piscar de olhos, sem um rebate de consciência, um clip, dois agrafes, uma refeição, uma casa, sem “posso, depois devolvo, levo só emprestado.” Aprenderam assim. Tiveram mestres, doutorados honoris causa, na trafulhice, salve-se quem puder, que se lixe, também me roubaram a mim, ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão.
É, não é? Sabe muito bem que há excepções para confirmar isto que lhe digo. Mas esses, esses ainda estão mais lixados ou como se diz aqui no norte: fodidos. E sabe por quê? Porque a competência cria anticorpos, dores de cotovelo, invejas, esconjuros nos bastidores dos que só os querem ver pelas costas e o mais depressa possível. Temem que se pegue a peste da sua lealdade e se deite a perder o seu reino precioso de lucro e especulação, swaps, concursos, pedidos, favores.
Se ser professor fosse a profissão nobre que alguns abraçam. Se ser português fosse o mesmo que ser firme, convicto, generoso, honesto, credível, empenhado, lúcido, num sentido de serviço à humanidade não deixariam que tal acontecesse à sua classe, ao país, ao mundo. Irra que há gente estúpida. E não é um exame imposto por um governo deseducado e corrupto que lhes vai tirar a estupidez. Nem é você. Estou vivo, mas esqueça: emigrei.

CRISTINA BRANDÃO LAVENDER
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