“Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo…”
Fernando Pessoa

Temos que seguir o conselho de Fernando Pessoa e fortalecer-nos com as pedras que nos apareceram e ainda aparecem, constantemente, no caminho! Por que não vermos estas dificuldades como um despertador? Como um toca a acordar… Um toque a rebate… Para agir e reagir e apercebermo-nos do que pensamos e fazemos. Do que atraímos com os nossos pensamentos e acções. Olhemos à nossa volta e não só para o nosso umbigo!
Será que nos está a pedir que sejamos valentes, optimistas, rectos no carácter e acima de tudo que tenhamos mais persistência para não nos conduzir ao desânimo, à tristeza? Será que devemos encontrar pessoas em quem podemos mesmo confiar e com eles sermos mais fortes e tranquilos no nosso dia-a-dia?
Será que essas pedrinhas, pedras e pedregulhos não nos farão raciocinar, aprender sobre o que o Mundo nos mostra? Será que nos leva a questionar as mensagens da mãe Terra pelas atitudes para com ela? Os consumos excessivos e desnecessários que a ela impomos? E a forma como marcamos negativamente a nossa passagem, através das escolhas que fazemos? Será que as pedras que Fernando Pessoa encontra no caminho não são as oportunidades que desperdiçamos quando não nos ajudamos e não ajudamos os que precisam? Ou quando nos deixamos abater e somos egoístas? Ou quando por comodismo fechamos os olhos e não nos queremos incomodar? Porque é mais fácil ignorar os obstáculos do que enfrentá-los? É mais fácil culpar os outros do que encontrar soluções? É bem mais fácil saltar as pedras do que pegar nelas e levá-las connosco para as avaliarmos e ver onde se encaixam?
Analisemos com cuidado cada pedra que se atravessa no caminho da nossa vida. Questionemos por que é que ela ali está e por mais pesada que ela seja levantemo-la com carinho e usemo-la para construir algo.
Sim, acreditemos que pedras no caminho, não são para ignorar e que, com todas elas, construiremos o castelo da nossa acção moral e social porque cada uma delas, no nosso caminho, é um teste à nossa visão, à nossa perseverança, à nossa capacidade de trabalho, de criatividade, de luta, de solidariedade. Em poucas palavras, uma acção questionada, consciente e, se possível, continuada.
Acreditemos que iremos ver, por fim, um castelo bem mais bonito. A nossa VIDA!

Cristina Brandão Lavender

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