vem um vento frio cheio de almas de gente que carrega a guerra em sapatos poeirentos
são suspiros últimos de quem se entrega nas asas da morte que já veio

vem um vento frio que traz infernos a arder nos desertos
são a ignorância, são a espada que corta a razão e se alimenta de medo

vem um vento frio que traz lágrimas tuas
são rios de silêncio da desilusão que tens de ti

vem um vento frio que se entranha na pele de gentes sensíveis
são daquela raça que olha para o lado, esconde a miséria do mundo nas pregas da veste e mesmo assim, sorri

vem um vento frio que atiça ódios perenes que se alimentam por ali
são os abutres que rodeiam no ar, em voos planados, até que que o rigor mortis se instale, para em voo picado disputar o pedaço de asno a roubar

vem um vento frio que pinta tudo de azul,
são céus cá por baixo, porque só há voos ao alto, em liberdade

vem um vento frio de inverno, porque na primavera ou não
somos nós, assim

 

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