Estar lá por cima das terras da serra, com um punhado de gente, é diferente, com o nevoeiro que nos cerra, que vem e que vai em menos de uns minutos, para quê contá-los se ali estamos sem o tempo e o espaço costumeiros.
É diferente estar lá em cima em de terras da serra, agarrar as nuvens com uma mão e abrir a palma das linhas da vida, do sentido e do destino desenhados, para as deixar seguir livres ao ar, sentindo as gotas minúsculas que estão mas não caem, e depois vão.
É diferente, tão diferente estar lá em cima nas terras da serra, lá no alto tão perto foste céu, nem recordas  o plin da mensagem que cai, ou do tempo que marcaste para a cozedura das batatas a ficar no ponto que o garfo te diz, pois que o dlim dlão é apenas o rebanho que vagueia sob o olhar esperto do pastor que sabe de cor as pedras da calçada mesmo que todas diferentes, assim como nomeia as urzes que encontra na passagem pelos carreiros, tais linhas a tinha da china, a jorna no seu mapa mundi.
Estar lá por cima de terras da serra é diferente quando gravas na mente o que vês ao girar em redor dos calcanhares, aquela sequência de altos e baixos, curvos e aguçados, escarpados cinzentos ou atapetados verdes, amarelos e roxos, para te deixares cair na amnésia involuntária dos mísseis nucleares que sobrevoam outros céus, sem os cínicos comentários dos que se fingem que se importam com armas, gentes e vidas, sempre colecionando mortes.
Deixo-me ficar nesta preguiça do ser que é dar à alma este prazer diferente de estar lá por cima de terras da serra.

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