acordar

“Quando acordo e discordo do que ouço, vejo com clareza que algo mais nos vai importunar porque tens no olhar um rosto cansado.

Nada te escondo. Quero que saibas como o mundo nos está a tramar e que ouço os mortos disputarem lugares e segredarem planos para nos virem buscar.

Iludem tal trupe com uma bondade fingida, vestida de caridade só de se olhar e agradar. Traduzo o idioma usado na idiotice pegada, publico o dicionário que desterra a mentira: mas ninguém quer acreditar.

Quando sentem na pele a comida a escassear, o frio da noite gelada na cama de estrelas para partilhar, os filhos de mãos estendidas por um naco para mastigar, sem um lugar para o sonho se sentar, falo mais alto no coreto da praça e um colete de forças me quer abraçar por tão grande incómodo, à volta, causar.

– Estão mais uma vez avisados: nestes momentos frágeis alguém de grande lata e fingimento nos vai triturar e eu, sem fugir, aqui estou para lutar.”

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