A grande maioria de nós somos contra todo o tipo de abusos não consentidos, e contra as situações degradantes, humilhantes e perversas a que temos assisto, ao longo dos anos, na cerimónias da praxe, em que estudantes “mais velhos” usam de um poder tirânico sobre outros mais “novos” academicamente. Essa soberania pérfida e maquiavélica em que se priva alguém da sua dignidade, através da humilhação pública, tem que objectivo? Mesmo que as situações sejam “consentidas” qual é a mensagem de quem as decreta e de quem as sofre sobre a comunidade que assiste? Por que razão os estudantes se deixam humilhar daquela maneira? É tudo uma brincadeira? E quando deixa de o ser? A aceitação pelos pares terá mesmo de passar pela submissão a situações desumanas, as mesmas que combatemos, que quereremos que desapareçam da nossa sociedade? Que posição irão tomar estes jovens, perante a humilhação durante a sua vida futura? Não, não me convencem a aceitar este tipo de acolhimento aos caloiros. No entanto, isto não tem nada a ver com o ver alunos a banharem-se, a molharem-se, numa fonte da cidade. Isso é mesmo uma brincadeira, na qual, pessoalmente talvez não participasse, mas não é grave, Quem quer vai, quem não quer sai, ou nem entra sequer, o que é preciso é não perder a capacidade de ajuizar e decidir se a situação se coaduna, ou não, com os seus valores e dos que estão à sua volta.

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