Nas Linhas com Cistina Brandão Lavender

recados de um astro

Este sol que vos sorri, hoje, não vos devia encantar, esconde mágoas, esconde uma luz de lágrimas que não consegue brotar, um calor febril que, em desespero, beija os filhos nas fontes secas, uma maleita que o homem ciência quer tratar, enquanto o vil, o egoísta, o ávido de poder abandona a uma morte lenta que vos irá esmagar. É o sol que vos sorri em lágrimas de luz que não vos pode...

gravidez

E os enjoos não passam. Estou grávida do...

gente e pessoa

Uma pessoa deixa de ser gente quando deixa de ver o sol no sol, a lua na lua. Em vez disso depois de ver passa a sentir, depois a sonhar, e a alma abre-se, e o sorriso alarga-se e os pés voam, tocando apenas ao de leve no caminho. E é assim que gente se torna mais pessoa porque ao sentir melhor, também...

rugas

Quando sinto as rugas da alma vejo claramente as rugas da...

Parabolé

Será que é no dia em que nascemos que a poesia nasce, ou será que ela já vivia muito antes dentro de nós. Será que ao soltar-se a língua do peito se largam as palavras da alma. Será? Se for verdade que é no dia em que se nasce que  se desenrola o livro das “parabolé”,  é também com ele que se define e fortifica o carácter. Todos os que nascem abraçam um fado, nunca leve, e cada um ou o vende ou o...

Também tu

Também tu Também tu me esperavas nos bancos da avenida. Lá, onde se vêem linhas de almas sentadas, ripas de madeira de tinta vermelha estalada, ao sol e à chuva, acumulando sorrisos, lágrimas ou simplesmente a pendurar memórias no tempo, as partilhas de conversas, carícias e pensamentos, olhares vagos, nos devaneios, nos que desafiam os destinos, nos que param, nos que se sentam, nos que se perdem e nos que se encontram, como tu, sentados à espera, de cigarro preso nos dedos amarelados pela nicotina, à espera, tu, à espera de mim. Observei-te de longe, da porta dos Congregados e, nesse dia não fui. Deixei-te naquela ânsia e não fui, arrepiei caminho e voltei para casa. No dia seguinte, à mesma hora, lá estavas, beijei-te na face e num sussurro comuniquei o que não querias ouvir. Vou-me embora de Braga, amanhã. Ainda vi lágrimas nos teus olhos. Nunca sentira o banco tão frio e sei que a ausência nos gelou. Hoje já não estás connosco e os bancos da avenida têm todos o teu nome. São bancos, são linhas de almas, na avenida Central, em...

Ah, se eu pudesse

“Ah! se eu pudesse” não se coloca. Se posso, então quero, se quero, então posso. Se não vou, não estou, não sou. Pode dar-se o caso, e aconteceu muitas vezes, de me sair essa interjeição “Ah, se eu pudesse”, mas logo que venho a mim pergunto: o quê ou quem to impede? É. Pertenço aos humanos mais difíceis de controlar. Pertenço aquela raça de pessoas para quem a palavra “controlo” não existe no dicionário, não pisamos, não passamos por cima de ninguém, mas pensamos, sonhamos e realizamos. Não nos dispomos ao “Ah, se eu pudesse”. Tudo o que achamos minimamente interessante, importante ou fundamental que se faça: faça-se. Mais. Não nos sai da cabeça enquanto não o fizermos. Passa logo a ser o nosso cavalo de batalha. Não das batalhas a cavalo, de baioneta, ou atómicas. Podiam ser, mas não são porque não usamos a força que aniquila os seres. Essa é a bandeira universal da vida. Não descansamos enquanto não formos arranjando soluções aqui e ali mesmo que difíceis. São batalhas em forma de palavras, no papel, nas redes sociais, nas salas de espectáculo, nas escolas, por trás de uma imagem, numa avenida, num aeroporto, em qualquer lugar, pelo exemplo. Chamo-lhe batalhas de comunicação-acção. São as procuras, as pesquisas, as experiências. Quando as vejo, vivo ou sinto, algo me debulha e embrulha as tripas numa real fritura dos neurónios que impele, a toda a força, para a questão de agir. Acontece que ouço uma voz forte, grave e muito serena dentro de mim: podes e deves. Sim, porque só se diz “Ah, se eu pudesse” quando esta antecede...

Animais

A grande diferença entre o homem e os outros animais ditos irracionais é que o homem planeia e executa ideias monstruosas entre as quais se encontram humilhar, explorar e matar, enquanto que os outros animais se limitam a saber sobreviver, de preferência com a maior harmonia...

Chove? Choveu.

Chove? Choveu. A terra continua árida, poeira fina que aguarda sedenta o alimento de árvores, arbustos e homens. A cor das folhas, nunca a mesma, este ano não se vestiu de tons e brilhos de outrora. Chove? Choveu. Parcamente. A calmaria desta hora será o prenúncio da borrasca dos deuses? Que venha mansa para que não fustigue os ramos com uma violência capaz de arrancar os frutos que nos saciam. Chove? Ainda não, que até os céus, de tanta sede nos lábios, a sorvem...

Por aqui é assim

É do que mais gosto aqui no Reino Unido, tanto verde, tanta água, tantos pássaros, tantos cães, esquilos, crianças e adultos que não se importam com a chuva e com o vento, limitando-se falar do tempo como se da sua pele se tratasse. Hoje está menos frio, mas mesmo assim sabe bem uma camisola, um cachecol, e um gorro para a cabeça. E se pensam que a praia está vazia, enganam-se, tudo se passeia, as crianças entram pelo mar dentro, fazem piruetas nos ares com os irmãos, os amigos ou apenas sós, numa dança de liberdade. Depois? Depois somos apenas humanos e há muita coisa que está mal, mas respirar esta brisa do Atlântico Norte que nos traz mensagens do mundo, faz com que as coza em banho Maria e as deixe a repousar até saber o que fazer com...

dá-me um beijo, onde

Há dias em que a minha unidade interior não existe. Anda em cacos de porcelana de travessa que ia para a mesa e se estatelou em pedaços. Consigo, mesmo assim, aguentar o ritmo acelerado imposto pelas obrigações, anseio pelo chegar do fim do dia e, enquanto a lua já for bem alta, pegar nos pedaços incertos, deitar-me na rede do jardim, colá-los no silêncio, fumar um cigarro, esperar, esperar que chegue a unidade, o todo por ali espalhado. Dá-me um beijo. Qual parte queres? A boca. Essa não sei onde pára, mas tenho a alma de fora. Velha Escrita, 13 de Setembro de...

Guerras invencíveis

As guerras que se travam na alma, ninguém as consegue vencer, ninguém nos cerra essa janela, porque as janelas da alma desenham-se por todo o lado, desenham-se em paredes de granito, desenham-se em grilhetas de ferro, desenham-se em escuros porões, desenham-se na clausura da cela, e desenhar janelas em paredes cerradas é viver sem cerros nem ameias, é mergulhar num mar e desafiar quem vem. Ser livre é assim e nunca, nem que me mates, me irás prender. Se quero dançar, não calas os passos que desejo em qualquer espaço, se quero escrever, não calas as palavras que me saem dos olhos e dos dedos, se quero pintar, não apagas os traços que se desenham por todo o espaço que vejo, se quero amar não apanhas o sentir que se esvai pelos poros da derme. As guerras que se travam na alma, ninguém as consegue...

Mala de viagem

MALA DE VIAGEM Peguei na mala de viagem e fiz-me à vida. Embarquei rio e mar afora sem pressas. Sem impaciências por saber não chegar a lado nenhum, apenas porque tinha de ir de um lugar para outro, mais ou menos distante, nesta jornada. Demorei-me no olhar e o teu fugiu-me. Tornei a insistir: fugiste-me de novo. Câmaras fotográficas apontadas às faces interrogadas indagavam sentimentos, expressões e segredos. Sem pejo nem pudor o comandante berrou. Quando os prédios são feitos aos quatro ventos, à pressa, quem os fez não se lembrou que eles não ficam sempre em pé. Nem o mágico com a sua varinha de condão lhes valerá em caso de tremor de terra moderado assolando origens, destinos, cansaços. Tudo se ouve, mesmo o zumbido das moscas, numa atenção presa a ferros, ancorada às estórias da mala em viagem, em busca de um poiso para a felicidade do existir. O barco continua sem rumo levado pelas velas brancas de uma inocência roubada por casas sem o poder moral de fazer, possuir ou exigir alguma coisa, viajantes sem direito a existência. Uma mala de viagem, em viagem, que leva uma casa que é tudo; uma casa que é feita de sonhos em meus olhos, com persianas de pálpebras que protegem um olhar entristecido, uma casa sem direitos de ninho, de gentes. E carregando malas como a minha, na viagem com amores e amantes, idealizo como construir os alicerces da minha existência. CRISTINA BRANDÃO...

Vai-se uma, chega outra

Estou preparada para a mudança de tempo. Vai-se uma, chega outra. Caem três ou quatro folhas amarelas e há um grande estardalhaço mesmo no centro da árvore. Os pardais pegaram-se à porrada e o som que saía das suas cordas vocais eram insultos em fiada, cada um a gritar mais alto, sai-me da frente senão parto-te todo, nem penses, nem tentes que não cedo. E ouvia-se as asas a baterem forte de encontro às folhas, de encontro aos ramos, de encontro ao corpo, de encontro à cara uns dos outros, às bicadas e aos Faleiros saltitos. Estou preparada para a mudança do tempo, vai-se uma, chega outra, mas não estava preparada para luta engalfinhada dos pardais por um pedaço de comida, um pedaço de ninho, um pedaço de espaço e de tempo. Acreditava que os pássaros só cantavam árias de hinos de paz, harmonia e alegria. Estava enganada. Quatro gatos encaminharam-se para baixo da árvore e apanharam com mais algumas folhas no lombo. Sorriam, juro que sorriam, com irónica esperança, ainda vai sobrar para mim, ainda vai sobrar para mim, dois gatos amarelos ficaram debaixo e outros dois foram à volta para cima do muro para aplaudir o combate. Há sempre alguém que beneficia com o estardalhaço da guerra dos outros, ficam a assistir, apertam o cerco e esperam pelas migalhas, como abutres, sem fazer nada, só a olhar e a falar uns com os outros, a dar opiniões, declarações, intenções. Vai-se uma estação, chega outra e o pardalis não vai chegar ao outono. Sabemos todos quando nascemos, mas não sabemos nunca quando morremos. Estou preparada para a mudança...

por terras da serra

Estar lá por cima das terras da serra, com um punhado de gente, é diferente, com o nevoeiro que nos cerra, que vem e que vai em menos de uns minutos, para quê contá-los se ali estamos sem o tempo e o espaço costumeiros. É diferente estar lá em cima em de terras da serra, agarrar as nuvens com uma mão e abrir a palma das linhas da vida, do sentido e do destino desenhados, para as deixar seguir livres ao ar, sentindo as gotas minúsculas que estão mas não caem, e depois vão. É diferente, tão diferente estar lá em cima nas terras da serra, lá no alto tão perto foste céu, nem recordas  o plin da mensagem que cai, ou do tempo que marcaste para a cozedura das batatas a ficar no ponto que o garfo te diz, pois que o dlim dlão é apenas o rebanho que vagueia sob o olhar esperto do pastor que sabe de cor as pedras da calçada mesmo que todas diferentes, assim como nomeia as urzes que encontra na passagem pelos carreiros, tais linhas a tinha da china, a jorna no seu mapa mundi. Estar lá por cima de terras da serra é diferente quando gravas na mente o que vês ao girar em redor dos calcanhares, aquela sequência de altos e baixos, curvos e aguçados, escarpados cinzentos ou atapetados verdes, amarelos e roxos, para te deixares cair na amnésia involuntária dos mísseis nucleares que sobrevoam outros céus, sem os cínicos comentários dos que se fingem que se importam com armas, gentes e vidas, sempre colecionando mortes. Deixo-me ficar nesta preguiça...

Semente da vida

Um costume que me acompanha desde que me conheço é o de trazer para casa sementes de frutos que comi por onde passei, para depois, com carinho, colocar na terra. Faço-o a conversar com ela e uma força que está nela, e que passa de uma forma estranhamente intensa para viver comigo, faz-me dizer-lhe enquanto a deito no lugar escolhido, aqui está o princípio que contraria e vence a morte ao nosso lado, aqui está a verdade que ninguém nos rouba, em ti permanece o que nunca acaba, depois de ti irão nascer muitas outras num perpetuar sem fim. Umas nascem outras não, mas as que morrem para viver lembram-me os Homens que nunca morrem porque vivem nas suas obras, e as que morrem para sempre lembram-me os homens que morreram sem...

perdi-me de ti palavra

Perdi-me de ti, palavra, quando não encontrei resposta para a crueldade do poder da nações, neste cruel facto quase que me afoguei por ser esta “injustiça” a lei do mundo. Perdi-me de ti, palavra, quando me deixei prostrar no tédio, quando conversei com o pensamento e quase vi destruídos o raciocínio e a vontade de lutar, para desmascarar essas relações do poder com humanidade. E embora saibamos da nossa pequenez do “ser criado para morrer” acreditemos que, enquanto respirarmos, não nos deixamos perder de inacção e que cada um faz o que tem a fazer.” in “palavra e alma” de Cristina Brandão...

À margem, os transparentes que sentem e são...

Vinco da página

Tenho um problema que não sei quem tem. Tenho marcadores de livros, muitos, e geralmente um em cada livro. Uso-os, até me socorro de outros, como tickets de estacionamento, recibos multibanco, folhas já usadas com escritos, listas que já não uso ou de que me sirvo para o dia, e outros, muitos outros, lápis, até ganchos do cabelo. Mas há sempre aquela vez em que tenho que marcar o livro o não tenho nada, o pânico instala-se e lá decoro o número da página em que estou, a juntar ao cuidado de ficar num novo parágrafo, secção ou capítulo, para mais fácil o reencontrar e recomeçar. Tudo, tudo, tudo menos magoar o livro com a dobra na canto superior direito ou esquerdo. Este gesto de marcar com um vinco aquele ser que carrega as palavras que me levam, me transformam, me deliciam é uma dor, uma afronta, uma cicatriz que não quero impor, uma falta de respeito que não quero cometer. E quando finalmente o faço porque tem que ser, não me perguntem por quê, mas acontece, o livro fica magoado e mais meu ainda do que era. Mas que sentimento é este que não me deixa pensar que é só um livro?Tenho um problema que não sei quem tem. Tenho marcadores de livros, muitos, e geralmente um em cada livro. Uso-os, até me socorro de outros, como tickets de estacionamento, recibos multibanco, folhas já usadas com escritos, listas que já não uso ou de que me sirvo para o dia, e outros, muitos outros, lápis, até ganchos do cabelo. Mas há sempre aquela vez em que tenho que...

amigo do peito

Dois amigos de infância. Dois. Apenas dois. Agora temos outros, também do peito, também da pele, que ocupam esse lugar especial, um cantinho único no nosso coração e que, estando ligado ao cérebro por centros nervosos intocados, se mantêm ali para que nos possamos deitar, enroscar, um quase ronronar de gato, buscar delícias e carregar a ternura essencial do existir juntos. Naquele tempo não havia Jardim de Infância, havia infâncias e havia jardins, o resto, que era tudo, eram tempos preenchidos e reinventados ao sabor da nossa imaginação. Oh, como era tanto. E é esse tempo, esse espaço, esse cantinho mágico, cheio de luz e silêncio, o local especial onde vamos buscar o amigo que nunca nos...

treze milhões de libras

Foi de treze milhões de libras o custo para a entrada no inferno na Torre de Grenfell. Este Dante povoou os nossos piores pesadelos durante dois dias e, por muito que o tentemos, torna-se impossível imaginar o desespero dos que ficaram aprisionados dentro daquele braseiro, ao ponto de atirarem aos céus os seus filhos e a si mesmos para não sentirem o horror de uma morte por queimaduras e ou asfixia. Os que se salvaram devem a sua vida aos Homens (sim com H maiúsculo) que, numa atitude solidária, não se preocuparam apenas em salvar a sua pele, e os avisaram acordando-os do seu sono inocente, sem esquecer os bombeiros que, também em completa agonia, os tentavam resgatar, quando viam que os sistemas de segurança do edifício se revelaram completamente inexistentes e ineficazes. Desconhecemos quantos ficaram aprisionados no horror das chamas, mas sabemos que um acto criminoso da pior espécie estará por detrás da tragédia daquela habitação social, já que no verão passado foram gastos treze milhões de libras, repito, treze milhões de libras, na renovação do edifício e, ao que se pressupõe, para melhorar as condições de habitabilidade do enorme edifício e dos seus habitantes, que se mostrou  um horrível monstro a devorar vidas humanas e, quem sabe, a vida de animais domésticos. Facturar materiais de qualidade e fornecer os de pior espécie é, com toda a certeza, um acto hediondo que esperamos ver punido com toda a severidade. Mesmo depois desta catarse de escrita não consigo segurar a revolta que me consome e, só não escrevo por vergonha e contenção, o que os piores instintos me aconselham...

detalhes do paraíso

(…) Somos (plural) povo de África, o “eles” são um “nós”, “um nós humano” que está ainda à espera de um pedido de perdão, público, geral e individual, dirigido a cada um dos países, por parte das nações esclavagistas e dirigido aos povos explorados, pelas sevícias por eles infligidas, pelas grilhetas colocadas, pelas humilhações físicas, psicológicas e culturais impostas, torturas sofridas ao longo de gerações e gerações, pelo assassínio de milhões de irmãos africanos, por um completo desrespeito individual e colectivo ao longo de séculos e de que ainda podemos ver resquícios no tempo presente. (…)

neste tempo que tempos vivemos

Neste tempo que se arrasta connosco há demasiado tempo de gentes cansadas que preenchem os tempos vazios (mas cheios de ódio e de maldade) apenas com suspiros de alívio por escapar: à justiça que não se faz, às bombas que não nos estraçalham, às balsas que se afundam sem nossos corpos, às mulheres que sempre se espezinharam, aos de pele diferente que sempre desprezamos, aos que clamam preces a um Deus que negamos, aos ricos que sempre roubaram, aos pobres que sempre se escravizaram, aos gritos dos que ignoramos, às lágrimas que não limpamos, aos doentes que não tratamos, às crianças que não ensinamos, aos jovens que não compreendemos, às mentiras em que nos escondemos, às verdades que ignoramos. Como esperar por tanto tempo o início da coragem que se vence por dentro e de dentro para fora, e não só aceitar, como também apoiar, trumps, pens, temers, maduros e outros que proliferam neste tempo presente? E, enquanto não chega outra vontade, não quero uma alma que sossegue com crueldade e sem juízo. Há dias em que o que o mais quero é uma alma...

não se procura nem se encontra

O amor é tão importante que não tem datas: tem dias. Todos. Porque o amor não se constrói, não se procura nem se encontra, não se cultiva nem se colhe, o amor está, o amor é, o amor tanto aparece como se desvanece, o amor é um estado etéreo permanente e quando raramente se sente, sabemos e ponto final.

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