A ti, Deus.
 eu, ínfima partícula de Deus,
testo a minha credulidade e começo a falar contigo e com os meus.
descubro que é o mesmo que falar comigo em voz alta
sem medo de me pensarem em falta, louca, endoidecida,
a gritar com o meu umbigo, estarrecida,
mouca a respostas complicadas de perguntas simples que faço em mim.
que fazemos aqui? por que me trouxeste a este abrigo?
por que me fizeste assim?
tu, alicerce da minha credulidade, perversa, corrupta e egoísta,
testas a minha lucidez
na pequenez embriagada da nossa humanidade.
à claridade de ver o que quero e não quero
olho-te no espelho sem olhos.
quão cega sou de bondade, encadeada por tamanha luz.
fico sem saber toda a verdade, 
na confiança que em mim pus, 
se estás em tudo o que sei, e no que ainda não sei
sei que não és quem
és o quê.

és imensa energia bem dentro de minh’alma
escorres em livre arbítrio por entre meus dedos
ao encontrar mais calma, lucidez, alegria

numa partícula apenas: 
eu sou deus, sentido de vida.

Cristina  Brandão Lavender
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