Um costume que me acompanha desde que me conheço é o de trazer para casa sementes de frutos que comi por onde passei, para depois, com carinho, colocar na terra. Faço-o a conversar com ela e uma força que está nela, e que passa de uma forma estranhamente intensa para viver comigo, faz-me dizer-lhe enquanto a deito no lugar escolhido, aqui está o princípio que contraria e vence a morte ao nosso lado, aqui está a verdade que ninguém nos rouba, em ti permanece o que nunca acaba, depois de ti irão nascer muitas outras num perpetuar sem fim. Umas nascem outras não, mas as que morrem para viver lembram-me os Homens que nunca morrem porque vivem nas suas obras, e as que morrem para sempre lembram-me os homens que morreram sem viver.

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